segunda-feira, julho 14, 2003

Esse aqui eh de rachar de rir... So essa frase ja vale o artigo: ""Acho que o meu papel é afirmar que a maior preocupação que o ser humano possa ter é que nós vamos mudar este país". O que significa? Que seu papel é mudar o país? Ou que seu papel é apenas afirmar que vai mudar o país? E o que isso tem a ver com a maior preocupação do ser humano?" Onde vai parar esse pais, hem? "Lula lá. Mas lá onde? Cheguei em terceiro lugar numa enquete sobre o jornalista que mais torce contra o governo Lula. Como assim? Só terceiro? Tem tanta gente percebendo a enrascada em que nos metemos que, daqui a pouco, corro o risco de ser considerado um governista. Não dá para julgar o desempenho de um presidente em menos de três meses. Porém dá para julgar seus discursos. Leio todos os discursos de Lula no site da Radiobrás. Não entendo uma palavra. Exemplo: "Acho que o meu papel é afirmar que a maior preocupação que o ser humano possa ter é que nós vamos mudar este país". O que significa? Que seu papel é mudar o país? Ou que seu papel é apenas afirmar que vai mudar o país? E o que isso tem a ver com a maior preocupação do ser humano? Na primeira reunião do Conselho de Segurança Alimentar, Lula disse que, "muitas vezes, a gente não consegue nem detectar o faminto e se aqueles que estão comendo, estão comendo as calorias necessárias a uma qualidade de vida humana que as pessoas têm que ter". O que ele quis insinuar com "vida humana"? Que um faminto pode ser visto como uma vida animal? Uma vida vegetal? Até para elogiar seus ministros Lula é ambíguo: "Eu acho que o Furlan e o Roberto Rodrigues estão para o Brasil como pessoas da melhor qualidade". Ou seja, é possível que, em termos absolutos, eles não sejam da melhor qualidade, mas ao menos são o máximo que o Brasil pode oferecer. Quando não confunde seus ouvintes, Lula os desarma com obviedades: "Levanto todo dia de manhã e falo para a Marisa que nós temos que fazer as coisas muito bem pensadas". Seria bastante surpreendente se ele dissesse a Marisa que, naquele dia, só pretendia cometer barbaridades irrefletidas. Lula também dispõe de fórmulas simples que podem ser empregadas em todas as circunstâncias, como "O povo está precisando de feijão com arroz e não de guerra". Daria para substituir "guerra" por "inflação", ou "juros altos", ou "vôlei de praia", ou "cotonetes", e a afirmação permaneceria irrefutável. Ocasionalmente, Lula parece acrescentar uma nova palavra ao seu vocabulário, mas nem sempre consegue inseri-la no contexto apropriado: "Uma das coisas que eu mais admiro é um militante que vai para a rua com sua bandeira. Eu acho uma coisa fantástica e inusitada". O que há de inusitado num militante com uma bandeira? Outras vezes, o raciocínio de Lula dá tantas voltas que não é fácil descobrir aonde ele pretende chegar: "Eu comecei com isso, para dizer que todos nós aqui, presentes, que os problemas de gênero, além das questões dos direitos que temos que colocar, nas nossas Constituições, como um todo, tem um problema cultural". Lula costuma rechear seus discursos de parábolas futebolísticas. Revelam o estado de espírito com o qual ele assumiu o poder: "Eu não tenho pressa. Vejam que, quando a Portuguesa Santista foi atabalhoada, o São Paulo marcou 5, quando ela jogou corretamente, só foi 1 x 0". O ambicioso projeto de Lula resume-se a transformar o Brasil numa retranqueira Portuguesa Santista e, possivelmente, perder de pouquinho. Se não der certo, ninguém poderá culpá-lo. Como ele disse em outro pronunciamento oficial, "vou agir assim porque tenho consciência da responsabilidade que está nas costas das pessoas que me elegeram". Ouviram? A responsabilidade é dos eleitores, não dele. "
Diogo Mainardi

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