segunda-feira, julho 14, 2003

Ja disse varias vezes aqui que nao odeio ninguem. Legal. Guardem essa ideia. Conversando com minha mae ontem ao telefone, ela me pediu que definisse felicidade. Foi muito dificil. Guardem essa ideia tambem. Segundo uma amiga minha, eu odeio muito. Disse a ela que nao guardava odio por ninguem, que ninguem era meu objeto de pensamentos negativos e ela disse que eu dizia muito no blog que eu odiava isso, odiava aquilo e eu disse que eram ideias e nao pessoas e ela disse que ideias vem de pessoas. E vem. Ontem enquanto definia felicidade para minha mae, disse que felicidade vinha do conhecimento da inaptidao das pessoas do mal que elas fazem. Vinha da compreensao da ignorancia alheia e da aceitacao da condicao atual da vida que se leva e que isso nao era acomodacao. Disse que isso traria uma felicidade interna, mas que isso nao torna a pessoa passiva, porque a luta pelo justo ainda deve ser lutada. E eu odeio ideias. Que vem de pessoas. Entao, gracas a essa amiga minha e a minha mae, passei os dia e as noite desse fim de semana pensando. Pensando entre momentos, porque dormi muito e cuidei do Luqueta. Mas entre dormir e cuidar eu pensei. Nao deveria eu compreender nossa situacao atual quando discuto politica? Ou quando comento sobre a empresa que trabalho. Ou sobre as mulheres submissas? Ou sobre os homofobicos e racistas? Compreender sua ignorancia e nao odiar? Deveria. Segundo minha propria conclusao anterior, isso me ajudaria a encontrar felicidade. Eu sei que sempre digo que a tenho. Que vivo feliz. Mas talvez exista uma felicidade ainda maior. Talvez nao. Com certeza. Sou um ser ainda muito pequeno para limitar toda a felicidade possivel a felicidade que sinto agora. Entao, sim. Ha felicidades maiores, e nao odiando ideias que vem de pessoas talvez eu chegasse mais perto dessa felicidade maior. Ou dessas, vai saber. Quando expresso meu odio diante da homofobia, por exemplo, preciso me lembrar que nao estou odiando so o conceito. Preciso me lembrar que pessoas utilizam esse conceito. E meu odio acaba sendo direcionado a elas. E isso nao eh bom. Atitude acompanhada de odio parece que rende mais. Nao eh a toa que os Punks sao agressivos. Nao eh a toa que o MST odeia tanto. Diz-se que fatos emocionalmente mais relevantes sao mais faceis de assimilar e de recuperar, lembrar, depois. Preciso me concentrar entao em tornar minha revolta, minha vontade de mudanca, positiva. Preciso torna-la relevante atravez do amor, da caridade. Preciso expressar menos odio ao racismo, ao assassinato, a fome e expressar mais amor ao que sofre do racismo, a familia que perde um ente querido e a quem passa fome. Talvez esse seja um caminho. Vou pensar mais nele. Nao garanto que vou conseguir tao logo. Mas dizem que a conciencia do problema eh o primeiro passo para resolve-lo. Entao pronto. Primeiro passo dado.

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