terça-feira, setembro 09, 2003

Estao sentido? Quente? Umido? Permeando? Incomodando? E nao se trata do fedor que invade vossas narinas. Falo do fedor humano. Da especie. A tempos venho sentindo essa ansia, nao sei se de vomito ou de escrever. Nao importa. O que importa eh que agora escrevo. E ele eh meu tema. O fedor. Vejo-o em voce, nele hoje, nela ontem, e sobretudo, em mim. Condeno com meu olhar. Minha mente invade situacoes, te le, te ouve, te entende ou nao. E se enoja. Fedemos. Algo como Rio Tiete em tardes quentes. Mistura de diarreia com vomito azedo. Vejo-o quando matamos, ilegalmente e apaixonadamente, ou legal e friamente. Sinto-o quando tomamos do publico para o privado. Quando soltamos quando deviamos prender ou quando nos fazemos de hulmides desentendedores da palavra quando na verdade a dominamos. Invade-me esse vomito, goela abaixo o antes regurgitado, quando expomos fragilidades inexistentes na busca de prazeres inalcancaveis ou ate de uma compensacao, pura simples. E fetida. Essa fumaca, negra e expessa, pesa ainda mais quando vem expulsa dos pulmoes vigorosos e dos olhos vermelhos pelo direito incontestavel do livre arbitrio. Negra. Expessa. Gordurosa. Incomodante. Descanso agora sob ele. O livre arbitrio. O direito de cada um de nos de feder mais do que o outro. E me incomoda. Ando incomodado. Busco o limpo. As vezes olho, principalmente quando sofro, e tudo parece ainda mais imundo. Eu, e alguns eleitos meus, somos os limpos. Ha! Somos os limpos! Felizmente nao dura muito e meu fedor me lembra. Cheiro tao mal quanto todo o resto. Cada um a sua maneira. E por alguma razao um tanto ironica meu cheiro nao me incomoda. Mas o teu me incomoda. Saia! Limpe-se. Humanidade? Parecem mais um bando de porcos.

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