domingo, agosto 01, 2004

Conformismo cristao

"O cristianismo é uma religião puramente espiritual, preocupada unicamente com as coisas do céu. A pátria do cristão não é deste mundo. É verdade que ele cumpre seu dever, mas o faz com profunda indiferença acerca do bom ou mau êxito de seus esforços. Desde que nada haja a reprovar-lhe, pouco lhe importa que tudo corra bem ou mal cá embaixo. Se o Estado flroesce, o cristão mal ousa desfrutar da felicidade pública; teme orgulhar-se da glória de seu país; se o Estado declina, ele abençoa a mão de Deus que pesa sobre o povo.
(...)
Engano-me, porém, ao aludir uma república cristã: cada um destes termos exclui o outro. O cristianismo prega unicamente servidão e dependência. Seu espírito é demasiado favorável à tirania para que ela não se aproveite disso com freqüência. Os veradeiros cristãos são feitos para ser escrvaos; sabem disso e não se comovem muito; aos seus olhos, esta vida breve tem muito pouco valor."

Livro IV de O Contrato social de Jean-Jacques Rousseau

Rousseau diz ainda no livro que uma sociedade puramente cristã só funcionaria se fossem todos, sem excessão, cristãos. Um só que não o fosse corromperia e abusaria de toda a sociedade, que aceitaria o jugo com felicidade, terminando sempre na tirania, na usurpação do governo, e na tomada dos bens e direitos públicos.
É verdade que o cristianismo prega o bem, o altruísmo. O cristianismo não é a Igreja católica de Paulo e do Papa, com suas cruzadas (praticamentes uma guerra pagâ). O cristão aprende a dar a outra face, e não a queimar os ateus. É a isso que se refere Rousseau. E faz muito sentido.
No entanto, Rousseau escapou um pouco. Sei que ser cristão não é ser bobo e passivo, ainda que seja assim que a maioria entenda. Quem é verdadeiramente cristão e entende as palavras de Jesus sem as baboseiras acrescentadas a elas entende que ele prega justiça e não a submissão. Oras, não foi ele, o próprio Jesus, quem rodou a baiana no templo quando viu os mercadores lá? Não acho que ele tenha ido um a um e solicitado educadamente que cada um se retirasse. Ele foi lá chutando tudo, botando todo mundo para fora; ele não deu a outra face.
A questão levantada por Rousseau é justa, apesar de incompleta. A maioria cristã tem de fato, parafraseando Reich, prisão de ventre mental. Isso não quer dizer que o cristão seja assim, apenas que alguns cristãos o sejam. Não se pode tomar a maioria pelo conjunto todo, ou ainda pelo exemplo do ideal.

Cabe aos cristãos sérios, cientes de sua responsabilidade social e de seu profundo papel na sociedade (não porque são cristãos mas porque são cidadãos), agir conforme os ensinamentos reais de Jesus, buscando se autoconhecer e devolver a sociedade tudo o que foi tirado dela (ou ainda: "Conheça-te a ti mesmo" e "Fora da caridade não há salvação").

O resto é balela.

2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Sei que este comentário não tem nada a ver com o tema, mas esse blog está horrível. Não pelos temas, nem pelas discussões, mas pela cor. Eu fico com dor de cabeça quando leio. E a parte dos comentários está muito estranha também. Coloca uma cor menos azul e separa a parte dos comentários, como era antes.

1:23 PM  
Blogger Ivan Paulovich disse...

E aí Giovanni,

Tava percorrendo alguns textos seus, comecei pelos técnicos e vim parar aqui.

Voltando ao texto, vejo que nós cristão devemos atuar sim na sociedade. E nada de sermos passivos ou conformistas.

Nós devemos estar em todos os cargos de liderança e testemunhar a vida em Cristo.

Acho que a passividade que vemos hoje na sociedade não é exclusiva dos cristãos e sim de toda a população que aos poucos perde seu poder crítico e a capacidade de pensar.

4:30 PM  

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