domingo, março 25, 2007

A poesia, o cartesiano e o holístico

Essa visão cartesiana, analítica, detalhista, às vezes me persegue.

Essa visão poética, romântica, intensa, explosiva, frágil e delicada, às vezes me persegue.

Essa visão holística, macro, desprendida, sem misericóridia, do alto, relacionalista, às vezes me persegue.

Me perseguem e brigam entre si. Não sou um, não sou dois, não sou três. Não sei quantos sou.

Sei apenas que não tenho a poesia da prosa de Clarice, por exemplo. Por Deus, não tenho também sua melancolia! Meus arroubos explosivos são também detalhistas e analíticos. Posso às vezes escrever diferente, mas sou claro. Como pode alguém ser claro e poético? Cartesiano e explosivo? Frágil e holístico?

Enfim, minha clareza me persegue e insiste. Não sei quanto dela consigo passar a você que me lê e me ouve, e não sei o quanto você quer ouvir.

Acho que esses atropelos filosóficos não são para todos. O homem comum quer distância dele, isso sei. Para quem eu falo, afinal? Sinto que aqui, às vezes, devo estar pregando para padres.

Por sorte meus devaneios filosófico-poéticos são absorvidos e sorvidos pelas sementes que cultivo. Outra mídia, outro público. E tenho a sorte de vê-las florecer. Amanhã serei eu a sorver delas.

No fim, só resta isso. Dos meus esforços poéticos, cartesianos e holísticos, os que fazem diferença mesmo são os menos notados. Os esforços que alimentam o corpo só são realmente relevantes enquanto exercícios retóricos. E é no amor que recebo o verdadeiro e consagrador pagamento e ele vale por todo esforço.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Cara, você deve estar fumando um baseado. Hahahahaha. Quanta filosofia. A Mari precisa voltar logo. Hahahahahaha. Abraço e vê se aparece.

11:37 AM  

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