Meu país
Começando a proposta de discutir as questões do politicalcompass.org, começo com essas:
1) I'd always support my country, whether it was right or wrong.
2) No one chooses his or her country of birth, so it's foolish to be proud of it.
Traduzido:
1) Sempre vou apoiar meu país, esteja ele certo ou errado.
2) Ninguém escolhe o país onde nasce, portanto é tolo ter orgulho disso.
Eu sempre digo que só sabe o peso do seu país quem já morou em outro. Só quem está ou esteve nessa posição sabe como é duro ficar longe do lugar que você reconhece como seu, ouvindo uma lingua que, mesmo que você entenda perfeitamente, não é a sua, e convivendo com costumes diferentes dos que lhe soam naturais. São detalhes, mas que fazem muita diferença, principalmente quando a rotina do dia a dia começa a pesar.
Por esse motivo, não posso dizer que vou apoiar meu país somente se ele estiver certo. Mas não posso apoiá-lo se estiver errado também.
Na verdade, a questão é mais complicada. Temos que analisar caso a caso. Não apóio o país quando um de seus governantes faz algo absurdo, como aconteceu recentemente, quando o governo brasileiro não deportou o terrorista italiano. Por outro lado, em uma situação de guerra, por exemplo, talvez o país erre, e mesmo assim eu continue a apoiá-lo, porque não quero ver sua ruína. Também não apóio o governo quando decide adotar práticas protecionistas, por dois motivos: fazem mal à outros países, e, mesmo que não fique tão claro, fazem mal aos brasileiros também.
A questão do orgulho é engraçada. É comum o brasileiro só ter orgulho do Brasil na copa do mundo. E futebol me dá a impressão de batalha medieval, então não vou me apoiar neste sentimento bruto.
Tenho orgulho do Brasil em alguns momentos sim. Quando o país começa a sair do buraco, e se colocar como um dos países importantes do mundo, isso é resultado do trabalho de todos os brasileiros, que apesar de seus políticos e criminosos remando para trás, continua trabalhando forte, e impondo sua honestidade. É algo que dá orgulho, porque é algo coletivo. Não são 11 jogadores em um gramado, são milhões de pessoas lutando por algo melhor. O mesmo vale por nosso imenso sentimento de caridade. Essa vontade de ajudar ao outro é algo que dá orgulho.
Essa questão do orgulho é difícil explicar, mas é algo que sinto sim. Infelizmente, ele vem com frequência acompanhado da vergonha. Se não houvesse orgulho, talvez não houvesse vergonha. Vergonha do nosso governo abilolado e ladrão (em todos os seus poderes), vergonha do jeitinho brasileiro, vergonha de gente que mais atrapalha do que ajuda, e que carrega o mesmo passaporte do que eu.
Mas sou um otimista. Acho que até o fim da minha vida o orgulho ganha. Espero.
Marcadores: Politicometro

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