sexta-feira, novembro 29, 2002

O sexo dos anjos...
Quarta a noite... 2 e 23 da manha... dessa vez vai em Portugues... A discussao pela discussao... haha... eh tudo ne? Deixa ate uns ou outros mais agitados... Acabo de voltar da "despedida" da Lucimara... Ela arranjou transferencia pra Continental de Londres, e ta indo pra la, morar com o marido. Entao fomos comemorar que ela vai embora... quer dizer, comemorar que ela conseguiu a transferencia. Anyway, discutiamos o sexo dos anjos. Manja aquela discussao que vc acha que ta certo, e cada um tem uma maneira de pensar? Pois eh... Ate que discutimos bastante. "O sexo dos anjos" ate que cai bem para o caso ja que discutiamos acirradamente a bissexualidade humana. Segundo uma amiga minha todos os seres desse planeta sao normalmente bissexuais, que, castrados pela sociedade, tornam-se heterossexuais. Mas, uma vez libertos do preconceito e da castracao imposta pela sociedade retomam sua atracao pelo mesmo sexo e tambem pelo outro. Nao eh minha teoria preferida, mas eh uma explicacao viavel da realidade. Prefiro a definicao "padrao" em que todos sao heterossexuais e devido a motivos pessoais, vontades, tendencias, revelam-se os homossexuais ou bissexuais que antes estavam escondidos. Como disse a minha amiga, nao achava a explicacao dela a mais viavel. Mas nao deixa de ser uma possibilidade. De fato a sociedade castra os homo e os bissexuais. Ate que ponto isso eh efetivo a ponto de tornar todos heteros eu nao sei. Mas eh viavel. Mas ainda acho outra teoria mais viavel. Eh mais ou menos como a teoria da relatividade restrita, que diz que E=MC2. Ate hoje ninguem conseguiu provar que Einstein estava certo (ou errado). Mas explicaco dele de fato comprova matematicamente diversos fenomenos analisados na natureza. Bate matematicamente. Ta certo? Nao sei. Mas se certo for ser capaz de explicar a realidade, entao ta? "What is real? - Morpheus, Matrix" A teoria da minha explicaria diversos fenomenos. Assim como outras explicam. Se ta certo ou nao eu nao sei. Nem quero saber. Que se danem esse monte de teorias... Eu aceito todos numa boa. Isso eh uma coisa que eu percebi em mim mesmo e fiquei feliz. Eu aceito todos e tudo numa boa. Atraves de diversas experiencias, de diversos contatos, de diversas experimentacoes pessoais, percebi que nao existe mais normal, padrao ou certo. Tudo eh certo. Tudo eh normal. O Gera escreveu a pouco tempo que normal eh o que segue as normas, impostas pela sociedade que esta aplicando a palavra "normal". Aprendi a nao rotular nada. Afinal de contas nossa sociedade eh hipocrita, egoista e nojenta. Entao porque eu deveria adotar seus padroes e normas. Eles que vao rotular a mae deles. Assim, percebi a mim mesmo que estou indo alem. Em muitos aspectos. Aprendi a nao julgar as pessoas pela cor, pela droga que usam (ou nao usam), pelo vicio que seguem (ou nao seguem), pela religiao que acreditam (se alguma), pelo egoismo ou altruismo proprio, pela liberdade ou escolha sexual que optaram (ou foram geneticamente coagidas a seguir, se isso existe). Aprendi, muitos pelo amor, a maioria pela dor, a aceitar. Convivo com todos numa boa. Por nao rotular tudo como normal, acredito que atualmente quem nao me conhece acha que acho tudo "normal". Mas o fato eh que esqueci o significado de "normal". E nao pretendo me lembrar tao cedo. Acredito no bom. E no mal. Acho bom comer. Acho mal passar fome. Acho bom passear, ver, transar, ler, etc, etc... Acho ruim matar, maltratar. Mas esses sao faceis, nao eh? Agora mais pesado. Acho ruim pra mim usar crack. Se vc gosta e pra vc eh bom, normal. A escolha eh sua, nao eh minha. O maximo que posso (e vou) fazer eh tentar (leia-se bem, tentar) te mostrar que pro teu corpo vai ser mal. Pra tua mente tambem, no futuro. Mas vc quem sabe. Acho que isso tem a ver com o aceitar o proximo, nao tentar muda-lo. Cabe a cada um mudar a si mesmo. Reconhecer seus problemas, coisas que podem fazer mal e trabalha-las de modo que parem de fazer mal. Acho ruim ignorar o sofrimento alheio. Mas nao saio por ai obrigando todos a ajudar o proximo. Cada um tem sua escolha, suas contas a acertar com si mesmo. Dessa forma aprendi (e confirmei) que posso ser amigos de ignorantes, racistas, junkies, religiosos, ou o que for, ja que valorizo todos simplesmente por serem. E afinal de contas, ignorantes, racistas, junkies e religiosos sao conceitos meus, que podem muito bem estar errados ou sendo preconceituosos. Tento me policiar o tempo inteiro pra evitar uma discriminacao no que for. Eh dificil. As vezes me pego assumindo algo que nao tem motivo algum. Simplesmente a pessoa se enquandra em uma categoria pre-estabelecida... Falo com frequencia dos advogados. A maioria deles eh advogado do diabo. Defende quem for, sem se preocupar se lesou a sociedade ou nao (e pros advogados esquentadinhos, conheco - e bem - o conceito de vcs que diz que todos tem direito a defesa, e minha opiniao eh: Bite me!). Mas estou generalisando. Eh didatico. Na vida nao posso generalizar. Tanto que tenho varios amigos advogados, alem da mae do meu proprio filho, que sao otimas pessoas. Quando falo que advogado defende os interesses proprios, e nao os da sociedade, estou generalizando, porque a maioria o faz. Mas nem por isso todos o fazem, e nem por isso vou assumir que todo advogado que eu venha a conhecer faz. E muito menos vou deixar de conhecer e ser amigo de um que lesa a sociedade. Assim como ele, eu tambem erro. E juntos vamos aprendendo. Entao estou feliz. Feliz porque parece que amadureci um pouco. Estou pronto pra conhecer o caos. Estou livre dos conceitos da socidedade pra fazer minhas escolhas independente deles. Dessa forma, me percebi puro. E livre pra escolher ser comunista, capitalista ou anarquista (o que ainda prefiro, mas para o qual nao estamos ainda prontos... ainda faco um POST sobre anarquia). Posso escolher ser vegetariano ou nao; heterossexual, homossexual ou bissexual; work-a-holic ou vagabundo; jovem ou velho. Porque isso sao apenas nomes. Nomes dados por pessoas que nao conheci ("Years of fighting/Teaching my son/To believe in dead man" Territory- Sepultura). Resolvi apenas ser. E se possivel ser bom. Estou tentando. E que se danem os conceitos e os padroes e que os reforcam. Danem-se os ternos, a TFP, o cabelo penteado, o comprimento exato da barba, a moda (dane-se muito!), o "ser fino", o "beber socialmente", a musica classica, o carro importado. Quero uma roupa confortavel, liberdade livre de tradicoes impensadas e irracionais, cabelo curto, comprido ou careca, como for, a barba que me agradar. Quero meu estilo de me vestir (por mais que estudiosos de moda - eh mole? - digam que moda eh uma marca pessoal de cada um, uma expressao, porque massificadamente nao eh). Quero ser como sou (nao gosta nao olha - eu paguei pra entrar/comer/vestir/dirigir e sou tao bom, ou ate melhor de quem ta torcendo o nariz). Quero beber ate querer parar (e eh pouco), quero ouvir o que eu gosto, quero andar de moto. "O meu coracao me diz/Fundamental eh ser feliz". Ave, Geraldo. Vou contigo.

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