segunda-feira, março 12, 2007

Misericórdia?

Não vejo Deus na forma medíocre, "misericordioso".

Deus não é misercordioso. É justo, isso é verdade, e brado aos 4 cantos. Mas não misercordioso.

Vocês realmente acham que Deus se importa com nossos "problemas", enquanto, usando o termo que vi recentemente, nossas "Meat suites", ou "vestimentas de carne", sofrem?

Não. Ele não se importa. Tal qual colocamos uma crianaça de castigo, sem misercóridia, quando ela comete um erro, Deus nos deixa sofrer as consequências dos nossos erros, se for esse o melhor caminho para nosso aprendizado.

Não acredito em um Deus misercordioso. A palavra me parece que o caracterizaria com um Deus que mima a humanidade, que em diversos nichos já é bastante mimada. Onde está o Deus misericordioso na África AIDética? Onde está o alívio? E nas favelas paulistanas?

Se a resposta não é atuando na lei de causa e consequência, não sei qual é.

Quando todos nós aceitarmos que somos responsáveis pelos problemas que nos afligem diariamente o mundo será diferente. Quando entendermos, finalmente, que o mal que fazemos ao próximo (tão, mas tão próximo), nos atinge diretamente (apesar de não entendermos a linha direta de ação e reação), tudo mudará.

Resta-nos apenas a ilusão: Riquesa e pobresa, conforto e frio, medo, injustiça. Enquanto a resposta à equação final é sempre zero:

 

Recebe-se o que se dá.

 

 

 

Existe aí uma linha fina, a qual devemos tomar muito cuidado ao cruzar, afinal, não somos Deuses: Misericórdia é dever humano. Não há circunstância em que não devamos tentar ajudar o próximo. O problema é compreender a palavra "ajudar". Quando ajudar é deixar sofrer as consequências, e quando é ajudar a entendê-las.

O governo?

Engraçado... Um Estado de direito e ainda insistimos em culpar o governo pelos problemas da nação...

"O governo rouba..."

"O governo não respeita..."

"O governo é corrupto..."

"O governo só pensa em si mesmo...."

Vamos, por um minuto, substituir "o governo", pelas pessoas que o elegeram, "a sociedade".

"A sociedade rouba..."

"A sociedade não respeita..."

"A sociedade é corrupta..."

"A sociedade no só pensa em si mesma..."

Faz mais sentido, não faz?

No filme "A queda", indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro pela brilhante atuação de todos os atores, fotógrafos, historiadores, produtores, diretores, etc, que trabalharam no excelente retrato (também alemão) dos dez últimos dias do III Reich, um dos ministros de Hittler (não me lembro qual, talvez Gobles) coloca mais ou menos o seguinte, diante da invasação Russa e iminente morte de milhares de alemães em Berlim e das já inúmeras mortes da segunda grande guerra:

"Não tenho misericórdia. Eles nos escolheram como seus líderes, que vivam com isso."

Parece falta de misericórdia, mas não poderia ser mais verdade. Cada povo tem o líder que merece.

E eu dou sentido a essa frase em cada microcosmo do que ela significa. Belive me.

(E por mais doloroso que possa ser, convivo com suas consequencias diariamente, já que eu também, assim como vocês, errei nas minhas escolhas, e, infelizmente, ainda erro).