quarta-feira, dezembro 31, 2008

Consistência

image O mundo não foi feito em 7 dias. É mentira. Levou bilhões de anos para se tornar o que conhecemos hoje. A cada dia ele se tornava mais complexo. Um pouquinho, todo dia.

Da mesma forma, sinto que nada na vida acontece em pouco tempo. Não acontece em 7 dias, e não acontece em 70 dias. Quanto mais eu aprendo, mais eu percebo que o que mais faz diferença na vida é a consistência com que alguém realiza determinada atividade.

Alguns exemplos:

  1. De pouco adianta estudar de véspera se a data da prova chegou. Ou você estudou, ou vai bombar. Por isso a recomendação de todo "especialista de vestibular" de descansar no dia anterior.
  2. Em uma entrevista sobre certificação de arquitetura de software, o jornalista pergunta ao arquiteto: 
    - Como se preparar para a prova?
    No que ele responde:
    - Impossível, sua vida é sua preparação.
  3. Chegou o verão, todo mundo quer estar em forma para não passar vergonha na hora de colocar o biquini ou tirar a camisa. Vai todo mundo para a academia. Em Dezembro! Como se 15 dias de exercício resolvessem meses de excessos.
  4. Pergunte aos melhores guitarristas como eles alcançaram a técnica que possuem hoje e eles lhe dirão: praticam o dia inteiro, todos os dias. Há rumores de que Hendrix dormia com a Guitarra.

Todos estes exemplos deixam claro que o que interessa é a consistência. Se você estudar um dia não fará a menor diferença, mas se você estudar todos os dias, mesmo que pouco, aprenderá muito.

Isso me leva a um segundo pensamento: a maioria das pessoas para na metade. Estudam de véspera, vão a academia uma vez por semana, mal pegam no violão. Mas querem boas notas, ficar com um belo corpo e tocar bem. Seria tão fácil se fosse assim, não é?

No estudo o problema é ainda pior. Boa parte da população vai a faculdade, mas não aprende nada. E se forma sem saber nada. E vai trabalhar (sem saber nada) e não estuda nunca mais na vida, nem formalmente e nem por conta própria. Muitas vezes aprendem a trabalhar no próprio emprego, e estudam só as tarefas que desempenham. Depois reclamam que têm baixo salário, e baixa empregabilidade. Também... quem quer um funcionário que só sabe fazer uma coisa, e às vezes ainda faz mal?

Sinto nossa sociedade muito preguiçosa. Pouco se estuda, pouco se mexe, muito se reclama. Mas a demanda, a vontade de ter mais, estas são altas. E como é imediatista, faz tudo de última hora, sem preparação, sem consistência. Quer construir o mundo não em 7 dias, mas em 7 segundos. No fim, colhem o que plantaram: nada. É a recompensa do preguiçoso.

Que Deus é esse?

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"Falo das iniqüidades porque é com elas que se costuma contrastar a eventual existência de uma ordem divina. Segundo essa perspectiva, se o Mal subsiste, então não pode haver um Deus, que só seria compatível com o Bem perpétuo. Ocorre que isso tiraria dos nossos ombros o peso das escolhas, a responsabilidade do discernimento, a necessidade de uma ética. Nesse caso, o homem só seria viável se isolado no Paraíso, imerso numa natureza necessariamente benfazeja e generosa. O cristianismo – assim como as demais religiões (e também a ciência) – existe é no mundo das imperfeições, no mundo dos homens. Contestar a existência de Deus segundo esses termos corresponde a acenar para uma felicidade perpétua só possível num tempo mítico. E as religiões são histórias encarnadas, humanas."

Reinaldo Azevedo, na revista Veja de 24/dez/2008

Reinaldo se supera neste ensaio, onde nos lembra que Deus permite tudo para nos lembrar das nossas liberdades e responsabilidades, e do peso que elas trazem. Leia o resto aqui. O texto é muito atual e bem escrito. Altamente recomendado.