A mulher (im)perfeita
Recentemente fiquei sabendo que a modelo Kate Moss jogou na piscina o laptop do namorado, vocalista do Kills. O laptop tinha algumas canções inéditas do grupo. Perda irrecuperável (talvez seria se os estúdios não tivessem os originais, o que duvido que não tinham). Ouvi na Band News FM, na voz de Ines de Castro, uma colunista bem interessante.
E daí?
Daí que a Ines de Castro comenta que Mrs. Moss teve uma escultura sua recentemente feita em ouro, e que só assim para um homem querer ficar perto dela: em ouro, parada e calada, além de pronta para ser derretida.
É verdade.
Hoje, depois de tantos relacionamentos passados fracassados (oras, se estou só hoje, todos os relacionamentos só podem ter fracassado), me pego absolutamente intolerante em diversos aspectos. Mulheres malucas é um deles, sem a menor sombra de dúvida.
É engraçado como a gente muda. Até uma certa idade engolimos muita coisa que não gostamos e que não concordamos. Em nome do amor, em nome do sexo, em nome da família, em nome de sei lá o que.
Eu já não sustento mais um monte de coisas. Nem em nome do amor, nem em nome do sexo. Na verdade, nem em nome de nada.
Fico pensando, o que seria de mim se tivesse me amarrado, "até que a morte me separasse", aos vinte e poucos anos. Suportaria mais? Seria menos intolerante? Mais altruísta?
Ou só mais acomodado?
Depois de um tempo os castelos que construímos ao longo da adolescência e da primeira juventude parecem ter sua névoa discipada. Sobra, a meu ver, muita razão.
Razão: outro nome para intolerância?
Algo que aprendi nesses anos todos: a mulher perfeita não existe.
O que isso significa?
